A invulgar toponímia da aldeia, São Pedro da Gafanhoeira, encontra explicação na junção entre dois factos do seu passado histórico. Em documentos anteriores aos últimos anos do século XVI, sempre que a aldeia era referida, a nomenclatura utilizada era “Gafanhoeira”. Só nos finais da centúria quinhentista começou a ser denominada de S. Pedro da Gafanhoeira, o que se manteve até aos nossos dias. A explicação para esta dicotomia temporal na toponímia da freguesia deve-se ao facto de ter tido uma gafaria e albergaria desde o século XIII, as quais estiveram em funcionamento até 1817, ano em que foram incorporadas na Santa Casa da Misericórdia de Arraiolos.
Gafaria era o nome dado antigamente a um hospital de gafos, isto é, de leprosos. Estes hospitais existiam em grande número em território português, sendo que a muitos também se dava o nome de convento ou leprosório, ou ainda de Ordem de S. Lázaro, patrono dos leprosos. Pela importância que essa Gafaria terá tido desde a sua fundação, a aldeia era denominada de Gafanhoeira. Só passando a ser designada de S. Pedro da Gafanhoeira em finais do século XVI, época de construção da igreja
paroquial, que tem como orago S. Pedro Apóstolo.
Apesar do livro de compromisso da gafaria ser de 1473, presume-se que já existisse no século XIII, tal como a aldeia, na medida em que a maioria destas instituições de cariz assistencial surgiram maioritariamente nos séculos XII e XIII, sendo normal que só se fizesse um livro de compromisso muitos anos após a sua fundação. Foi um procedimento muito usual noutras instituições similares.
Nesse período, a dispersão da população pelo termo da freguesia era ainda grande, como se comprova, pelo número de herdades: “esta aldeia, perto da Ribeira da Vide, têm mais de 53 herdades”.
Durante o século XIX a freguesia teve um grande crescimento. Em 1757 tinha 81 fogos, e em 1874, 117 anos depois, tinha duplicado esse número, tendo 160 fogos.
A aldeia de São Pedro da Gafanhoeira teve o seu auge populacional em meados do século XX, período a partir do qual se iniciou um processo de migração e emigração, comum à maioria das localidades alentejanas, devido a mudanças estruturais na
agricultura, desde sempre a principal atividade da freguesia. A mecanização das alfaias gerou um decréscimo de trabalhadores.
No entanto, atualmente, a aldeia continua a ter uma boa dinâmica social onde a população beneficia de uma boa estrutura institucional com serviços fundamentais para o bem-estar da população, consolidada com a ação Poder Local Democrático.
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